Pias: breve história

PARTE I: A TERRA

Imagem 1

Topónimo comum em Portugal (1), Pias é designação de um lugar na freguesia e município de Cinfães, situada na margem esquerda da ribeira da Bestança, a sul do rio Douro. (imagem 1).

Implantada numa pequena elevação, entre os 150 e 200 metros de altitude, a povoação desenvolveu-se ao longo de uma via que, no sentido oeste-este, cruzava a referida ribeira (um afluente do Douro) num ponto talvez transitável da sua corrente. Porém, o caudal imprevisível da ribeira, profundamente violento no inverno, conjugado com a necessidade de assegurar a passagem mais cómoda de homens e veículos, terá levado à edificação, na Idade Média, de uma ponte.

A primeira e mais antiga referência a esta ponte (para já conhecida) encontra-se associada à figura de Dona Branca Pais, mulher abastada que deixou ao Cabido do Porto:

«[…] huma quinta em Sima do Douro digo em Riba de Douro onde chamão as pias a cerca da ponte de bastança […]»(2).

E embora o documento que transcreve a doação seja datado de 1576, refere-se a um legado anterior, talvez do século XIV, que assim atesta a antiguidade da travessia (não sabemos se de madeira ou pedra) existente junto às Pias. O próprio topónimo pias assinala as características morfológicas do local onde havia de necessidade de vencer a orografia, marcada por pedras escalavradas, barrocos ou perladas (3).

Deve-se pois, à ribeira, à via e à ponte, a existência e a prosperidade da povoação de Pias, enquanto aldeia-fronteira no termo da paróquia/freguesia e município de Cinfães.

Em 1527 era lugar pequeno, comparado com Travaços, Bouças e Louredo (4). Enquanto estes lugares tinham acima de vinte moradores (fogos), Pias contava apenas cinco. Talvez assim se compreenda porque não é referida em 1258, juntamente com outras localidades do termo de Cinfães. Estaria naquela altura ainda a formar-se ou em vias de formação (5)?

É possível que o incremento demográfico de Pias ocorrido ao longo do final da medievalidade e ao longo da época moderna se deva ao facto de ser lugar de passagem, documentado pelo seu urbanismo unilinear (ver imagem 2). Também Louredo, no extremo nascente do concelho, se destacava pela sua localização junto a uma ponte, de origem medieval, ainda hoje conservada e juntamente com Pias, ambos os lugares como percursos intermédios de uma antiga via que seguia paralela ao Douro.

 

Imagem 2: vista aérea de Pias (recortada a partir de Google Maps) onde se vê claramente a via ou «rua» que deu origem à povoação, de sinuosa morfologia urbana medieval.

Da época moderna, período de vida económica fervilhante na região duriense, voltamos a ter notícias da travessia – notícias que atestam, aliás, a importância do lugar e da sua ponte.

Num manuscrito de Frei Teodoro de Melo, datado de 1733, dá-se conta da destruição, por uma «enchente», de uma «formosa ponte de cantaria», «de próximo reedificada, por ter levado uma cheia a que no mesmo sítio das Pias se havia fabricado antes». A reedificação dera-se quarenta anos «pouco mais ou menos» (antes da memória do autor, portanto circa 1690) e foi-o a expensas do Morgado de Velude, nobre e proprietário de Cinfães, «instando pela utilidade pública»(6).

Assim, em finais do século XVII, a ter existido uma ponte medieval (românica?) sobre a Bestança, junto a Pias, foi a mesma destruída por uma cheia, tendo sido substituída por outra no século XX, aquando da abertura e construção da estrada nacional 222.

Imagem 3. A ponte de Pias antes das transformações do século XX. Fotografia não datada, s/ autoria, gentilmente cedida pelo padre Abel Gonçalves, natural das Pias.

Em 1758 o abade de Cinfães, certamente por esquecimento, não refere a ponte que é no entanto assinalada pelo seu congénere de Oliveira do Douro, quando alude aos cursos de água da região:

«[…] o Ribeyro chamado Bestança que tem Sua orige na freguezia de Tendais, e Se vem despinhando pella Freguezia de Sam Pedro de Ferreyros, e Fica correndo o dito Ribeyro para o Rio Douro entre Symfaiz, e esta Freguezia de oliveyra, que o mesmo fás Reparticçáo das ditas Freguezias, e nelle há huma Ponte de Pedra no fim de Boassas cittio do Lugar das Pias […] (7).

 

Não obstante os vários lapsos (nascente da Bestança em Tendais, Pias em Oliveira), o reitor de Cinfães Heitor Pereira Cardoso assinala o lugar das Pias a Vila Pouca, ambos com 46 fogos – o terceiro «lugar» em população da freguesia e município, a seguir aos de Vila Viçosa, Travassos e Bouça (8).

No século XVIII o outrora lugarejo tornara-se povoação importante e atractiva para pobres e ricos, remediados e abastados, povo e nobreza, leigos e clérigos, como o padre Manuel Pereira que em 1758 administrava aqui uma «capela» titulada a São Gonçalo, venerável associado a caminhos e …pontes.

 

PARTE II: OS HOMENS

Imagem 4. Vista das Pias, em 1999. Fotografia de Nuno Resende.

Ao longo da época Moderna (séculos XV-XVIII) a aldeia foi singrando demograficamente, talvez graças à sua localização privilegiada, na confluência dos caminhos da serra com os do Douro.

Contudo, são várias as referências, dentro daquela cronologia que, nos assentos de óbitos da paróquia de Cinfães, encontramos a indivíduos pobres que morrem em Pias, alguns sem possibilidade de receberem ofícios religiosos após a morte para salvação da sua alma.

Se pensarmos que a maioria trabalharia com as suas mãos (seriam, portanto oficiais mecânicos) e que tal os inabilitava para os cargos de nobreza e funções do governo local, como um João Fernandes, tendeiro, que testemunhou no matrimónio de João de Avezedo, de Açoreira e Maria Pinto, das Pias, a 29-7-1675 (9) importa narrar um extraordinário exemplo que contradiz a ideia de imobilidade social.

Trata-se do caso do pedreiro Manuel Dias, que morre nas Pias, a 14 de Agosto de 1676 (10). Ele e a sua mulher, cujo óbito se registou nove anos depois, a 23 de Fevereiro de 1685 (11) são os fundadores da capela de São Gonçalo a que alude, em 1758, o pároco de Cinfães e que então estava sob a administração do padre Manuel Pereira. A sua fundação ocorreu por escritura notarial de dote, datada de 8 de Setembro de 1669 (12).

Imagem 5. Fachada da capela de São Gonçalo, Pias, em 1999. Fotografia de Nuno Resende.

A instituição, construção e administração de capelas (forma jurídica de vinculação de propriedades para sustento de um culto) cabia frequentemente a nobres, clérigos ou outros indivíduos, cuja fortuna e estatuto permitia manter e perpetuar uma devoção, nome e património vinculanda a certo templo ou altar. Vermos um pedreiro a fazê-lo, em pleno século XVII, constitui um interessante documento social. Manuel Dias foi, aliás, um dos sepultados na capela, para o que obteve licença do Visitador eclesiástico, como refere o seu assento de óbito.

Tal manifestação de poder poderá resultar, asseveramos, da boa fortuna ganha no ofício de pedreiro que o Manuel Dias quis agradecer destinando parte do seu património a São Gonçalo. Embora este taumaturgo seja conhecido e devocionado na região, a escolha prende-se com o facto que ser uma figura construtora de pontes, perfil mais do que adequado para patrono de um pedreiro.

Quem sabe se o próprio Manuel Dias, não participou na manutenção e reparação da velha ponte medieval das Pias, de que dependia a vida económica e social da sua povoação?

 

O culto a São Gonçalo em Cinfães:

O Culto a São Gonçalo em Cinfães. Imagens 6 a 8 (acima, da esquerda para a direita):  6. pintura representando S. Gonçalo na capela da casa e antiga torre de Chã (Ferreiros de Tendais); 7. escultura de vulto de São Gonçalo na ermida de São Sebastião, em Covelas (Ferreiros de Tendais); 8. escultura de vulto de São Gonçalo na igreja matriz de Cinfães. Nota: Gonçalo de Amarante é, segundo o calendário litúrgico, apenas comemorado como beato. No entanto utilizamos a designação «santo» que lhe é atribuída pelo povo.

 

PARTE III: OS BARBEDOS

Se há apelido em Cinfães particularmente ligado a uma comunidade, quer pela disseminação do mesmo entre os seus habitantes, quer pelo destaque de alguma família no seu seio, esse apelido é Barbedo, na aldeia das Pias, freguesia e concelho de Cinfães.

Não é muito clara a origem deste sobrenome, que aparece nos registos paroquiais de Cinfães e de Oliveira do Douro no século XVII. Alguns querem-no como derivação de Barbudo, outros dizem-no ligado a um lugar do Minho (Vieira do Minho). O padre António Carvalho da Costa, na sua «Corografia Portugueza», editada em 1706, refere-se a um Gil Barbedo que tinha casa no concelho de Vila Garcia «aonde está o foral & devia ser algum tempo vivenda de fidalgo deste nome, senhor no mesmo concelho, concluindo «este he o solar de tam nobre apellido, hoje pouco usado» (13).

Fosse, ou não, o solar desta família naquele antigo concelho da serra do Gerês, o certo é que encontramos a viver em Boassas, um António Barbedo Pereira, baptizado a 30-7-1657 na igreja paroquial de São Miguel de Oliveira do Douro. Era filho do alferes de ordenanças Manuel Cardoso Coelho e de sua segunda mulher Helena Cerveira, ambos daquela aldeia, da freguesia de Oliveira do Douro, onde casaram a 11-6-1650.

Já escrevemos sobre este António Barbedo Pereira quando narramos a epopeia dos Semblanos, outra família ligada a Cinfães. De facto, do seu casamento com Maria do Amaral Semblano, que ocorreu na paróquia de São Nicolau da cidade do Porto a 25-8-1690, houve vasta descendência com este apelido (14).

Numa árvore genealógica desenhada e manuscrita, que remonta, provavelmente, ao século XIX, é designado como «Morgado da Eira», referência a um topónimo em Boassas. Nesse desenho indica-se a sua descendência até aos seus terceiros netos (15). Mas na obra de Felgueiras Gaio, redigida ainda século XVIII, faz-se uma alusão mais prosaica ao dito António Barbedo Pereira, como tendo sido «sardinheiro» no lugar da Pala (16). O documento que o genealogista Felgueiras Gaio transcreve (autos de certo litígio) é uma curiosa fonte para perscrutar os percursos de um conjunto de indivíduos que parece vencer as convenções e as barreiras sociais do Antigo Regime para ascender a lugares de prestígio e nobreza nos então concelhos de Cinfães e Ferreiros de Tendais. A circunstância de o vermos ligado à faina fluvial do Douro, poderá explicar a mobilidade do apelido de António, Barbedo, até Cinfães, via Porto, a par com o de Semblano, como já aventámos – tratam-se ambos de apelidos estranhos à disseminação patronímica de origem medieval pelas famílias locais (Jorges, Anes, Rodrigues, etc).

Contudo, por não conhecermos, nem os avós paternos, nem os avôs maternos de António Barbedo Pereira, não podemos afirmar com certeza de onde lhe proviria o segundo apelido, sendo possível que fosse pela mãe, Helena Cerveira. De facto ambos os apelidos, Barbedo e Cerveira aparecem juntos nas genealogias dos séculos XV e XVI, nomeadamente depois do casamento de João Barbedo e Leonor Cerveira de Melo, filha do morgado de Velude e neta do seu instituidor, Vasco Esteves de Matos. Velude é um pequeno lugar da actual freguesia de Cinfães e João Barbedo, filho de Diogo Álvares Monterróio (ou Monterroso) e de Senhorinha Gonçalves de Barbedo, parece ter vivido no vizinho concelho de Sanfins da Beira.

É possível, pois, que a dita Helena Cerveira descendesse dessa nobre família, nomeadamente da linhagem do morgado de Velude de que existe, de resto, prolífica descendência na região, quer por via legítima, quer natural, bastarda ou espúria.

Todavia, Barbedos nas Pias, descendentes do referido António Barbedo Pereira, só são documentados já o século XVIII ia adiantado. Nesta aldeia nascem os filhos do escrivão e tabelião Paulo José Barbedo (neto daquele) e de Maria Cardoso, ele de Boassas e ela de Medados, freguesia de Cinfães.

Da prole documentada deste casal, descendem os Barbedos das Pias e outros que singraram fora desta aldeia, nomeadamente no Porto. A esta cidade foi casar a 10 de Maio de 1840, Francisca Benedita de Barbedo Pinto, bisneta do referido escrivão, com Caetano de Sousa Pinto, que tinha ourivesaria aberta na Rua das Flores, nos números 143 e 151 (17). De ambos descende o grande etnólogo português Fernando Galhano, de cujas memórias já aqui falamos e cuja figura evocamos (18). O seu  irmão usava na sua biblioteca o ex-libris que ora reproduzimos.

Imagem 9. Reprodução do ex-libris de José Manuel Barbedo Galhano. Colecção de Nuno Resende.

Outros Barbedos «das Pias» destacaram-se letras, no direito e até na medicina. Dado o elevado número de eclesiásticos nesta família vários foram os que seguiram carreiras quer no ensino, quer ao serviço da Igreja, como o padre António Pereira de Barbedo, Abade de S. Romão de Paredes de Viadores, absolutista que viu o seu apoio premiado com a medalha de ouro com a efígie de D. Miguel em 1829.

Mas, talvez o nome mais importante desta geração de Barbedos das Pias seja o do doutor José Joaquim Pereira de Barbedo.

Filho de Laureano José de Barbedo, estudante em Leis pela Universidade de Coimbra, e de Ana Maria Pereira, José Joaquim seguiu o caminho do pai nos estudos universitários em Direito, que concluiu em 1799. Exerceu advocacia em Cinfães, que o memorialista António Cardoso de Vasconcelos considerou «um dos advogados mais distintos no seu tempo e uma gloria do foro de Sinfães» (19). O seu filho, do primeiro matrimónio, Alexandre Pereira Barbedo, também nascido nas Pias, foi juiz ordinário, administrador e presidente da Câmara Municipal de Cinfães.

Foi seu bisneto Afonso Carlos Barbedo Pinto, formado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, com uma tese intitulada «Estudos sobre o Myxoedema ou cachexia pachydermica de Charcot» (20), trabalho que dedica a vários membros da sua parentela, nomeadamente o seu avô, ourives da rua das Flores, Caetano de Sousa Pinto. Afonso casou com Isabel Alice de Sousa Correia Teixeira Pinto Tameirão Valado, filha do 3.º Barão do Valado, em cujos descendentes se perpetua o título associado ao apelido Barbedo (22). Foi também administrador do concelho de Cinfães, como o havia sido seu sogro, atrás citado, o juiz Alexandre Pereira Barbedo.

Nas Pias viveu o farmacêutico José Manuel Barbedo, filho de Paulo José Barbedo, que aqui exerceu o seu mister desde 1783, data da concessão da respectiva carta de ofício.

Pelas Pias ficaram outros Barbedos, responsáveis pelo engrandecimento da aldeia, não só pelas casas que, pelo menos desde o século XVIII construíram e ampliaram (23), mas pelos vários espaços de devoção que mandaram edificar, nomeadamente uma capela que no cume de um outeiro pontifica  sobre a comunidade e o vale. As fontes diocesanas indicam-na, nos inquéritos paroquiais de 1949 e 1955 como titulada do Sagrado Coração de Jesus, mas o doutor António Cardoso de Vasconcelos em finais do século XIX di-la, de Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus (24). De facto, uma pagela que nos foi dada conhecer recentemente, mostra-nos uma iconografia raríssima, da Virgem acompanhando o Seu Filho, infante, com o Sagrado Coração exposto (24).

Desta capela «Do Sagrado Coração de Jesus», diz-se no inquérito de 1955 ter «um largo vedado dentro da propriedade da família proprietária da Capela, no lugar das Pias. Superintendia, então, à administração da dita capela «a Snr. D. Laura Barbedo, habitualmente residente no Porto» (25).

Nesta capela casaram-se, a 2 de Fevereiro de 1880, Miguel Maria Barbedo Pinto, filho do já referido ourives Caetano de Sousa Pinto, com a sua segunda esposa, Maria Augusta da Rocha Reimão, unindo assim duas famílias cinfanenses ligadas ao Porto, os Barbedos e os Reimões. D. Maria Augusta era filha do famoso médico, formado pela Sorbonne em 1837, José Joaquim Pereira Reimão, natural de Miragaia, mas casado em Ferreiros de Tendais.

Num inquérito anterior, de 1949, refere-se outra capela particular, das três que que existiam então nas Pias, dizendo-se «propriedade da família Barbedo». Na monografia de Cinfães, Bertino Guimarães (1954) afirma ser dedicada a N. S.ª da Assunção (26). Da capela de São Gonçalo, já atrás falámos. Estava, em 1955, na posse de outra Barbedo «Da Snr.ª Augusta Barbedo, residente no Porto, tendo como procurador o Snr. Mário Monteiro, residente nas Pias» (27).

Imagem 10. Digitalização de bilhete postal ilustrado.  Foto Costa, s/data. Colecção de Nuno Resende.

Segundo Guido de Monterey deveu-se, também, a um Barbedo, a organização de um dos ranchos folclóricos que lançou a aldeia as Pias no folclorismo nacional. O Grupo Folclórico de Cantas e Cramóis de Pias (Pias — Cinfães) foi fundado em Maio de 1949, «por Fernando Barbedo e Augusto do Amaral» (27). É às Pias, aliás, que se liga um dos mais vivos movimentos folcloristas na região (imagem 10).

Finalmente, de Cinfães seguiram das Pias e de outras partes de Cinfães, por via da emigração, vários Barbedos seguindo sobretudo para o Brasil onde, entre finais do século XIX e princípio do século seguinte, se dispersavam pelo Pará, Porto Alegre, etc. como fez questão de assinalar o criterioso genealogia António Cardoso de Vasconcelos.

De resto nas listas e fotografias dos cartões de embarque que fizemos publicar no História de Cinfães, damos conta de vários Barbedos, cumprindo uma diáspora comum a tantos seus outros conterrâneos.

 

 

NOTAS

  1. Segundo o «Diccionario Chorographico», de Américo da Costa existiam, em 1947, 48 lugares com o nome PIAS, Cf. COSTA, Américo – Diccionario Chorographico. Porto: Livraria Civilização, 1947, vol. IX, pp. 10-20.
  2. Arquivo Distrital do Porto (ADP), Cabido, Datário, fl. 35 v.º
  3. Barrocos e perladas ou preladas (veja-se o topónimo bem próximo às Pias, em Ferreiros de Tendais) são designações populares para lugares associados a rios e ribeiras, onde há poços, pedras de formas extravagantes e até sons peculiares que motivavam a memória e sobrevivência dos topónimos.
  4. COLLAÇO, João Tello de Magalhães – Cadastro da População do Reino (1527). Lisboa: [edição do autor], 1931.
  5. Cf. BAIÃO, António, org. – Portvgaliae monvmenta historica […]: Inquisitiones [vol. I, parte II, fascículo VII]. Lisboa: [s.e.], 1936.
  6. Documento transcrito e citado em: Duarte, Joaquim Correia – Resende no século XVIII. [s.l.]: Câmara Municipal de Resende, 2004, p. 309.
  7. Cf. TEIXEIRA, Baltazar Manuel de Carvalho Pinto – Oliveira do Douro [Memória Paroquial de]. Lisboa: IAN/TT, 1758.
  8. CARDOSO, Heitor Pereira – Cinfães [Memória Paroquial de]. Lisboa: IAN/TT, 1758.
  9. ADL, Paroquiais, Cinfães, Mistos, livro 2, fl. 137
  10. ADL, Paroquiais, Cinfães, Óbitos, 1672-1696, fl. 12
  11. ADL, Paroquiais, Cinfães, Óbitos, 1672-1696, fl. 45 v.
  12. AHML, Tombo da Provedoria, fl. 244 ss. Ver transcrição (disponível em breve).
  13. COSTA, A.Carvalho da – Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal […]. Lisboa: Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1706, vol. I, p. 217.
  14. No assento refere-se a paternidade da noiva, que morava na Rua da Lada, cf. ADP – Arquivo Distrital do Porto, paroquiais, São Nicolau, casamentos, 1688-1698, fl. 148.
  15. ADML, Avulsos, s/cota, s/título [1 fólio].
  16. GAIO, Felgueiras Manuel José da Costa- Nobiliário de famílias de Portugal [Braga]: Agostinho de Azevedo Meirelles/Domingos de Araújo Affonso, 1938-1941. § MOUTAS 11.
  17. O negócio de ourivesaria parece chegar pelo pai de Francisca Benedita, pois em 1821 era ourives do ouro na rua da Flores, um tal João Pereira Barbedo que «declara ser falsa a notícia, inscrita no Astro da Luzitania, de que lhe aparecerem, algumas das peças que lhe roubaram, na noite de 23 de Janeiro […],» O Patriota Portuense, n.º 48 (1821).
  18. Foi seu irmão o engenheiro Amândio Galhano, Alves, Maria José Galhano; Mota, Teresa; Osório, Conceição – Amândio Barbedo Galhano. Porto: CVRVV, 2005. ISBN: 972-97940-4-9.
  19. Também um neto de Laureano José se formou em leis, tendo exercido advocacia e a magistratura. Foi o doutor Heitor Pereira de Barbedo, que se formou em 1837 e faleceu, na qualidade de Juiz, em Ponte de Lima.
  20. PINTO, Afonso Carlos Barbedo – Estudo sobre o myxoedema ou cachexia pachydermica de Charcot. Porto: edição do autor. Dissertação inaugural apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto, 1896.
  21. AMDL, Capelas particulares, 1955 [Inquérito distribuído em 1955 pelas paróquias da Diocese de Lamego, sobre a localização, estado e propriedade das capelas pública de propriedade particular], cf. RESENDE, Nuno; ALMEIDA, Eugénia Borges de, colab. – Um inventário em construção. Lamego: Diocese, 2006, p. 67 e 102.
  22. AFFONSO, Domingos de Araújo, VALDEZ, Ruy Dique Travassos, TORRES, João Carlos Feo Cardoso de Castelo Branco e – Livro de oiro da nobreza: apostilas à Resenha das famílias titulares […]. Lisboa: J.A. Telles da Sylva, 1934, p. 478 ss.
  23. No século XIX fala-se da Casa das Pias, que o padre António Pereira Barbedo mandou edificar, deixando-a, por morte, à sua sobrinha e esta, por sua vez, ao sobrinho Antonio Augusto Barbedo, em cuja posse estaria no início do século XX, segundo informação do doutor António Cardoso Vasconcelos. Ver nota seguinte.
  24. VASCONCELOS, António Cardoso Pinto de; RESENDE, Nuno – Os dois faladores: folhetim sobre a História de Cinfães. Porto: SantResende, Lda, 2019.
  25. AMDL, Capelas, 1949 [Inquérito distribuído pelas paróquias da Diocese de Lamego, sobre a localização e estado de todas as igrejas e ermidas], cf. ibid., idem.
  26. GUIMARÃES, Bertino Daciano R. S. – Cinfães. Porto: Junta de Província do Douro Litoral, 1954, p. 100.
  27. Cf. op. cit., AMDL, Capelas particulares, 1955.

About the author

Nuno Resende, Historiador
Nasceu na vila de Cinfães em 1978

Comments

  1. Bem procuro algo sobre minha avó materna Emília Pereira Resende nascida em Pias, talvez 1895 e 1897?!?!?!
    Obrigada pelo trabalho efetuado. Cumpts.

  2. Parabens Dr Nuno Resende por mais uma obra de grande rigor, como já nos habituou . Parabens , obrigado e abraço

  3. É tão interessante! Eu sou descendente de Irene Berta Barbedo Dias nascida em Angola … casou com Armando …. Dias e era interessante saber mais sobre os pais dela pois sei que o pai “casou” com uma senhora não “pretendida” pela família e foi viver para Angola e daí tiveram filhos em Angola mas ele morreu. Se alguém poder ajudar, agradecia. Do lado da minha avó somos de Cinfaes e ouvi muita vez de pequena que vimos do Porto (Cinfães). Desculpem o meu Português mas há 31 anos que vivo na Inglaterra

    1. Paula Spragg o pai de Irene Berta era irmão do meu avõ Fernando Couto Barbedo Pinto e filho do meu bisavô Antonio Augusto Barbedo Pinto . O Pai da Irene Berta chamava-se Amandio tinha 9 irmãos Amelia ,Antonio, Maria Jose,Paulo, Albertina, Berta, Laura, Irene e Fernando meu avô. A “CASA DAS PIAS “continua na familia Barbedo há 8 gerações . Tenho actualmente a responsabilidade e o orgulho de ser o “dono“ da casa até passar para os meus descendentes. Chamo-me Fernando de Sousa Pinto Barbedo tenho arquivo da ´´Casa das Pias “ e elementos de genealogia da familia até 1680 posso dar mais informações se tiver interesse. Se me quiser contactar “nfbarbedo@gmail.com “ tenho gosto manter contacto Abraço Fernando

    2. Paula contacte comigo. Sou Fernando Barbedo da Casa das Pias da familia Barbedo ,posso dar informações sobre a familia.

  4. Paula Spragg o pai de Irene Berta era irmão do meu avõ Fernando Couto Barbedo Pinto e filho do meu bisavô Antonio Augusto Barbedo Pinto . O Pai da Irene Berta chamava-se Amandio tinha 9 irmãos Amelia ,Antonio, Maria Jose,Paulo, Albertina, Berta, Laura, Irene e Fernando meu avô. A “CASA DAS PIAS “continua na familia Barbedo há 8 gerações . Tenho actualmente a responsabilidade e o orgulho de ser o “dono“ da casa até passar para os meus descendentes. Chamo-me Fernando de Sousa Pinto Barbedo tenho arquivo da ´´Casa das Pias “ e elementos de genealogia da familia até 1680 posso dar mais informações se tiver interesse. Se me quiser contactar “nfbarbedo@gmail.com “ tenho gosto manter contacto Abraço Fernando

  5. Me chamo Felipe Artur Barbedo, brasileiro neto te José Pereira Barbedo nascido em 1914 em Natersia-MG, bisneto de Artur Pereira Barbedo. Ainda estou pesquisando, acredito sem certeza que minha familia que veio da região do sul de Minas Gerais ( Pedralva, Natersia, Maria da Fé, Itajuba) em uma expedição que contou com 700 Portugueses, sairam do Rio de Janeiro em 1597 se instalando em Minas Gerais.

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