Um dos erros mais comuns ao escrever ou referir-se ao concelho de Cinfães é designá-lo “Cinfães do Douro“. Esta denominação não existe nem nunca existiu como designação oficial. De resto, as expressões “do Douro”, “da Serra”, “da Beira”, “velha”, “nova”, etc., só se utilizam quando existem duas ou mais localidades com o mesmo nome, como acontece com as inúmeras Oliveiras que, para se diferenciarem geograficamente, acrescentaram o topónimo ou macro-topónimo do território onde se localizam (por exemplo, Oliveira do Douro e Oliveira da Serra). Ora, como não existe em Portugal outra povoação com o nome de Cinfães, nunca foi necessário estabelecer qualquer diferenciação geográfica.
A confusão para a denominação “Cinfães do Douro” deve-se, provavelmente, a dois factos. O primeiro, e mais óbvio, é o de que Cinfães se encontra próximo do rio, gerando uma associação natural entre ambos. O segundo prende-se com o topónimo Sanfins, que foi, até 1855, o nome de um dos concelhos extintos para dar origem ao atual município cinfanense. Ao longo do vale duriense, existem duas (outrora importantes) povoações chamadas Sanfins: uma em Santiago de Piães e outra no atual concelho de Alijó. Como ambas foram sedes de município até ao Liberalismo, houve a necessidade de as distinguir pela sua localização: uma mais à Beira, outra próxima ao Douro (na verdade ambas são próximas a este rio…).
Como Cinfães e Sanfins são palavras foneticamente muito próximas, é natural que parte da confusão de acrescentar-lhes “do Douro” resida nesse facto. É, afinal, um absoluto desperdício de palavras e até um contrassenso acrescentar “do Douro”, mesmo que, por motivos turísticos, se pretenda aproximar do rio uma localidade que, infelizmente, surge amiúde nas notícias por motivos menos honrosos. De resto, se formos ver aos concelhos vizinhos não não necessidade para “Baião do Douro” ou “Resende do Douro”.
O topónimo Cinfães é suficiente para nomear esta localidade, de resto hoje, e desde 1855, composta equilibradamente por uma parte serrana e uma “zona” ribeirinha. O seu caráter reside, aliás, nesse nome único na toponímia portuguesa.
Nuno Resende, Historiador
Nasceu na vila de Cinfães em 1978